Usar celular no vaso foi associado a maior presença de hemorroidas em um estudo, mas a pesquisa não prova que o aparelho seja a causa. O ponto prático é perceber se notícias, vídeos ou mensagens fazem você permanecer sentado além do necessário para evacuar.

O que os pesquisadores realmente observaram?

O estudo publicado na PLOS One em setembro de 2025 reuniu 125 adultos que fariam colonoscopia de rastreamento em um centro dos Estados Unidos. Eles responderam perguntas sobre hábitos no banheiro, e a presença de hemorroidas foi avaliada nas colonoscopias.

Entre os participantes que usavam o smartphone no vaso, 37,3% relatavam visitas com mais de cinco minutos, contra 7,1% dos que não usavam. A análise ajustada também encontrou associação com hemorroidas. Isso é uma comparação entre grupos de uma amostra, não um teste do que acontecerá com cada leitor.

E a manchete de “46% mais risco”?

O número divulgado vem de uma regressão logística em um estudo transversal. As pessoas não foram acompanhadas desde antes de desenvolver o problema, nem sorteadas para usar ou evitar celular. Assim, o resultado não significa que alguém tenha 46% de probabilidade de adoecer, nem que o celular aumente o risco absoluto em 46 pontos percentuais.

Na prática, prefira a conclusão que os dados sustentam: houve associação naquela amostra, e o tempo prolongado no vaso merece atenção. Não é uma prova de que tirar o telefone eliminará hemorroidas ou substituirá tratamento.

O que o estudo permite dizer
Observação Limite
Usuários relatavam mais tempo no vaso O hábito foi informado pelos próprios participantes.
Hemorroidas foram vistas na colonoscopia O desenho não estabelece qual fator veio primeiro.
Houve ajuste para outras características Ajuste estatístico não elimina toda explicação alternativa.

Um ajuste simples na rotina

Deixe a navegação para fora do banheiro. Depois de terminar, levante em vez de esperar o próximo vídeo ou continuar lendo. Se não consegue evacuar, não transforme a tentativa em uma sessão longa de força; uma dificuldade recorrente precisa ser discutida com a equipe de saúde.

Um exemplo: você entra para uma necessidade rápida e percebe que só saiu porque alguém bateu à porta. Retirar a distração ajuda a reconhecer a duração do hábito. Não há, neste estudo, um cronômetro que garanta segurança até certo segundo e doença depois dele.

Sangramento não deve ser atribuído ao celular

O NIDDK lista esforço para evacuar, constipação e permanência prolongada no vaso entre fatores relacionados a hemorroidas. Também alerta que nem todo sintoma anal tem essa origem. Sangue no papel, nas fezes ou no vaso merece avaliação, em vez de presumir que basta abandonar o telefone.

Dor importante, sangramento volumoso, tontura ou mal-estar pedem atendimento mais rápido. Na consulta, descreva a evolução, as fezes e o tempo no banheiro. A mudança de hábito pode fazer parte do cuidado, mas não confirma diagnóstico nem autoriza usar pomada ou laxante por conta própria.

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Fontes consultadas